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Como combater a fake news em tempo de Coronavírus?

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Por: 

Vitor Alves

Thays Felipe David de Oliveira

05/04/2020

Em Dezembro de 2019, uma nova infecção viral foi registrada na província de Hubei, na China. Nesse período, foram percebido casos de uma espécie desconhecida de patógeno causando pneumonia e síndrome respiratória aguda grave em vários pacientes há alguns meses , e um boletim da secretaria municipal de Wuhan, capital da província, alerta os cidadãos sobre a nova doença em 31 de dezembro .

No perdurar desse período, esse vírus começou a se disseminar pelo mundo. Mas, apenas em 11 de fevereiro de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) nomeou-o como Covid–19. É válido salientar que esse não é o nome real do vírus, mas sim o da doença causada por ele . Uma vez que, International Committee on Taxonomy of Viruses o denomina como síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2, ou SARS- CoV-2.

Em 3 de março do ano corrente foram detectados mais de 10.566 mil casos ao redor do mundo setenta e dois países. No dia 11 do mesmo mês a OMS anunciou que o Covid-19 deveria ser considerado como uma pandemia com 142. 320 casos confirmados, sendo 5,388 (3,78%) casos fatais.

No mês de abril, depois de ter passado pouco mais de quatro meses do primeiro boletim epidemiológico, o surto de pneumonia se espalhou num ritmo acelerado ao redor do mundo. A humanidade passou a viver uma pandemia mais agressiva do último século, tendo acometido mais de um milhão de pessoas e vitimado fatalmente cerca de 60 mil até o momento.

O grande risco deste novo Coronavírus é a falta de imunidade dos cidadãos. A Organização Mundial da Saúde recomenda o distanciamento social como prevenção , visto que, ainda não há uma vacina ou remédios eficazes contra a infecção até o momento. O exemplo da Itália, que atualmente sofre um colapso em seu sistema de saúde, foi prontamente entendido pelas autoridades sanitárias ao redor do mundo, mas uma infecção em massa ainda não é um cenário descartado nas pranchetas dos gestores de saúde pública.

Todavia, uma quarentena, embora eficaz para reduzir o contágio massivo (e não sobrecarregar os sistemas de saúde nacionais), tem um efeito devastador para as economias. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já projeta que o mundo entrará numa recessão ao final de 2020.

Além da infecção, o maior risco apresentado atualmente é o da propagação de notícias falsas. Essas peças de desinformação, sejam elas apresentadas em tons alarmistas, conspiratórios ou até mesmo preconceituosos, são tão danosas à sociedade quanto a própria doença . Fake news divulgando o uso de certos remédios não testados ou teorizando que esta crise seria um complô de um determinado país para prejudicar a economia global foram espalhados para criar falsos sentimentos de alívio e/ou ódio. Num período crítico para a sociedade, o que pode ser feito para que possamos manter a calma numa enxurrada de informações (nem sempre confiáveis)?

Comparativamente falando, o ciclo de transmissão de uma notícia falsa se dá como o de uma doença . Com isso, há um conjunto de ações que devem ser tomadas para impedir o contágio das fake news, como pode ver visto na imagem abaixo:

Figura 1- Identificando as notícias falsas 

Mobirise

Fonte: Psfafe ( www.psafe.com)

1: Checar as fontes. A notícia foi vista onde? Em veículo jornalístico sério ou foi compartilhada pelas redes sociais? Uma busca rápida no Google sobre o assunto da mensagem pode provar a veracidade (ou não) da notícia; 

2: Analisar a mensagem. Se a notícia busca mexer com os sentimentos, seja dando uma falsa sensação de esperança num novo remédio ou de ódio perante determinado país, ela tende a ser falsa;

3: Repassar apenas notícias confiáveis. Por mais que você tenha recebido um áudio, vídeo ou texto assustador de um parente ou amigo próximo, se você não tiver como comprovar a veracidade daquilo, não repasse para frente.

4: Acreditar nas autoridades competentes e mídias tradicionais. Estamos num momento delicado, e as autoridades sanitárias (Ministério e Secretarias estaduais e municipais de Saúde) e mídias jornalísticas tradicionais (redações de jornais impressos e virtuais, estações de rádio e televisão) buscarão ao máximo trazer as notícias reais às pessoas.

É necessário que a população se atente em relação a questão da disseminação de notícias falsas, principalmente no período em que estamos vivendo. Pois, muitas vezes acaba gerando uma grande desinformação e o caos.  

É válido salientar que as Fake News acabam fortalecendo alguns preconceitos e estereótipos, além de limitar a capacidade de decisão dos sujeitos que a recebem. Consequentemente, manipulam os processos da participação cidadã, gerando uma grande polarização na sociedade, como foi visto nos últimos dias em todos os estados do Brasil.

Mas, caso receba alguma notícia e você não sabe a veracidade, acesse o site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br/fakenews). Além disso, tal ministério também oferece um número de Whatsapp para que os cidadãos retire as suas dúvidas sobre a temática que foi criado em março de 2020. Nesse número, as pessoas podem tirar dúvidas mais comuns sobre a doença, além de orientar os usuários sobre o que fazer caso tenha a doença. Países como Argentina, Israel, Singapura e Indonésia também estão utilizando tal mecanismo para evitar a disseminação de notícias falsas na população. Além disso, temos outros sites como:

● Fato ou Fake - G1: g1.globo.com/fato-ou-fake 

● E-Farsas - R7: e-farsas.com

● Agência Lupa - Revista Piauí: piaui.folha.uol.com.br/lupa

● Aos Fatos: aosfatos.org

● Boatos.org: boatos.org

Ter dúvidas é normal, temos que pesquisar em fontes confiáveis para poder falar sobre algo. A disseminação de notícias falsas acontece porque muitas vezes as pessoas acabam confiando em discursos e informações que são baseadas em evidências e não na ciência, mas sim em notícias encaminhadas pelos aplicativos de mensagem ou por redes sociais.

Até o presente momento não existe nenhum tipo de cura para o coronavírus, pois, se já existisse já estaria amplamente divulgado no cenário internacional. O ideal é seguir as indicações que foram determinadas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, uma vez que, tais órgãos possuem pesquisadores ativos na busca da cura para a doença. Uma medida eficaz segundo os órgãos supracitados é a quarentena, isto é, o isolamento social porque irá reduzir o número de infectados.

Em suma, no atual momento em que vivemos é indispensável tomarmos cuidado nas mensagens que recebemos e muitas vezes encaminhamos sem sequer checar a fonte desta e consequentemente a veracidade. Nesse momento, tudo isso é necessário para evitar o caos social.

Mas, caso deseje compartilhar notícias sobre o coronavírus ou qualquer outra temática sugerimos que cheque as informações inicialmente, atuando como um cibercidadão e evitando a disseminação de fake news.